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Brasil concentra quase 70% dos casos de dengue da AL e Caribe

Pa√≠ses da Am√©rica Latina e do Caribe registraram aproximadamente 4,6 milhões de casos de dengue este ano.

Por Midia NAS em 11/04/2024 às 21:05:29

Pa√≠ses da Am√©rica Latina e do Caribe registraram aproximadamente 4,6 milhões de casos de dengue este ano. O n√ļmero, que se refere às 15 primeiras semanas do ano - inclui os primeiros dias de abril - representa um crescimento de 237% em comparação ao mesmo per√≠odo do ano passado.

A informação √© da Organização Pan-Americana da Sa√ļde (Opas) e foi repassada pelo especialista em arboviroses da organização, Carlos Melo. Ele participou nesta quinta-feira (11) de um semin√°rio sobre arboviroses organizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro.

Arboviroses são doenças causadas por v√≠rus transmitidos, principalmente, por mosquitos, como o Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya.

Casos

O grande aumento √© causado pelos n√ļmeros da epidemia no Brasil. O pa√≠s supera 3,1 milhões de casos prov√°veis em 2024, ou 67,4% dos registros na Am√©rica Latina e Caribe.

Em n√ļmeros absolutos, o Brasil √© primeiro no ranking. Os pa√≠ses que ficam imediatamente atr√°s do Brasil, Paraguai, Argentina e Peru, na ordem, não passam de 200 mil casos cada.

Um dos motivos que explicam essa proemin√™ncia do Brasil √© o fato de ser o pa√≠s de maior população. No entanto, quando se observa a incid√™ncia de dengue, ou seja, a proporção de casos em relação à população, o pa√≠s figura na segunda posição, atr√°s do Paraguai.

Pelos n√ļmeros da Opas, o Paraguai tem √≠ndice de 2.540 casos por mil habitantes, enquanto o Brasil registra 1.816. No entanto, segundo o Minist√©rio da Sa√ļde brasileiro, a taxa de incid√™ncia √© de 1.529 por grupo de mil pessoas.

A diferença se justifica pelo fato de a Opas depender de receber as informações para divulg√°-las atualizadas. Isso faz com que casos prov√°veis eventualmente descartados sejam temporariamente inclu√≠dos na contagem. A organização explica que usa o total de casos prov√°veis porque, mesmo que sejam descartados, representam pacientes que impactaram serviços de atendimento de sa√ļde.

Em relação às mortes por dengue confirmadas, o Brasil tem 1.292 registros em 2024. O pa√≠s lidera o ranking de n√ļmeros absolutos da Opas. No entanto, em termos proporcionais, o pa√≠s aparece na nona posição, atr√°s de Paraguai, Guatemala, Peru, Bol√≠via, Honduras, Equador, Argentina e Paraguai.

Mudanças clim√°ticas

Dos 25 países cobertos pela Opas, 12 encontram-se com surtos, ou seja, registros de casos prováveis acima do projetado.

Para a Opas, uma das causas apontadas para justificar a epidemia no Brasil e surtos em outros pa√≠ses √© o fenômeno El Ni√Īo - aquecimento anormal das √°guas do Oceano Pac√≠fico, que pode ser o maior j√° registrado.

"Esse comportamento √© claramente associado a uma atuação de mudança clim√°tica", afirma Carlos Melo.

O especialista cita que at√© pa√≠ses europeus e os Estados Unidos, onde não havia grandes surtos da doença, registram incid√™ncias da dengue. "As magnitudes vão ser totalmente diferentes de um lugar para outro, mas a gente j√° v√™ o espalhamento dessa transmissão."

Especialistas explicam que efeitos causados pelo El Ni√Īo, como ondas de calor, estiagem em algumas regiões e temporais em outras, favorecem a proliferação do Aedes aegypti.

Estudos apontam que o mosquito transmissor fica mais ativo durante o calor. Al√©m disso, quanto mais quente, menor √© o tempo de incubação do v√≠rus no mosquito. Assim, o inseto passa a transmitir a dengue mais rapidamente.

Soma-se a isso o fato de a estiagem aumentar a necessidade de armazenamento de água, muitas vezes de forma inadequada, propiciando o surgimento de criadouros. Esses ambientes onde o mosquito se desenvolve passam a aparecer com mais facilidade em consequência de temporais.

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